Cinco dias em Alter do Chão permitem combinar as praias do Tapajós, um dia inteiro no rio Arapiuns, a Floresta Nacional do Tapajós, o Canal do Jari e a vila com calma. A ordem dos passeios deve seguir o nível do rio e o clima. Na vazante, de agosto a dezembro, as praias estão no auge. Na cheia, ganham espaço os passeios de canoa pela floresta alagada.
Alter do Chão costuma ser apresentada pela foto da Ilha do Amor, mas a vila é a porta de entrada para uma região muito maior: o Tapajós com suas praias, o Arapiuns de águas escuras, a Floresta Nacional do Tapajós e o encontro com o Amazonas. Em cinco dias dá para conhecer tudo isso sem correria.
O roteiro abaixo é um exemplo de organização, pensado para a vazante, quando as praias estão expostas. Ele mostra como distribuir os passeios e não corresponde a um pacote fechado da Tapajó. Na cheia, alguns dias mudam, e indicamos as alternativas no fim.
Antes de começar: como chegar e onde ficar
Alter do Chão é uma vila do município de Santarém, no oeste do Pará, a cerca de 35 km do centro da cidade pela rodovia PA-457. O caminho mais comum é voar até o aeroporto de Santarém e seguir de carro até a vila, em cerca de 40 minutos.
Para um roteiro de cinco dias há duas bases possíveis:
- Hospedagem na vila, com passeios diários de barco ou lancha.
- Hospedagem a bordo, em que o barco leva o grupo de um ponto a outro e você acorda em lugares diferentes. Veja como é viajar de barco pela Amazônia.
Dia 1: chegada, vila e pôr do sol
Depois de chegar e se instalar, o primeiro dia é para entender o lugar. Caminhe pela orla, pela praça principal e pela Praça do Sairé, onde acontece a festa em setembro.
No fim da tarde, atravesse até a Ilha do Amor, a faixa de areia em frente à vila. Na vazante, a travessia é feita em poucos minutos de canoa. É o primeiro contato com a água morna e calma do Tapajós.
Dia 2: praias do Tapajós e Ponta do Cururu
Um dia de barco pelo Tapajós, parando em praias e bancos de areia ao longo da margem. O roteiro varia conforme o nível do rio e o vento, por isso quem decide as paradas do dia é quem conhece o rio.
No fim da tarde, a Ponta do Cururu é um dos pontos clássicos para ver o pôr do sol sobre o rio. Em alguns dias é possível avistar botos nas proximidades, sem nenhuma garantia: são animais livres.
Dia 3: rio Arapiuns e comunidades
Reserve um dia inteiro para o Arapiuns, afluente do Tapajós de águas escuras e praias de areia muito branca. A navegação a partir de Alter do Chão é longa, então o dia começa cedo.

Parte do Arapiuns fica dentro da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, criada em 1998, onde vivem dezenas de comunidades tradicionais. Algumas recebem visitantes com trilhas, artesanato e refeições. A visita deve ser combinada com antecedência e feita com respeito às regras de cada comunidade. Falamos mais sobre isso em turismo de base comunitária na Amazônia.
Dia 4: Floresta Nacional do Tapajós
A Floresta Nacional do Tapajós, criada em 1974 e administrada pelo ICMBio, fica na margem direita do rio, rio acima de Alter do Chão. É uma das unidades de conservação mais visitadas da região. As comunidades de Jamaraquá e Maguari, dentro da floresta, organizam trilhas guiadas por moradores.

O destaque são as samaúmas, árvores gigantes da floresta amazônica. A mais famosa, perto de Maguari, exige uma trilha longa. Em Jamaraquá há uma trilha mais curta com outro exemplar grande. As trilhas são feitas com guias da comunidade.
Leve tênis ou bota, água, repelente e protetor solar. O trajeto de barco entre Alter do Chão e a Flona pode levar de uma a três horas, conforme a embarcação.
Dia 5: Canal do Jari e encontro das águas
O último dia pode ser dedicado ao lado de Santarém. O Canal do Jari é um braço estreito entre o Tapajós e o Amazonas, cercado por igapós e vitórias-régias. É um bom lugar para observar aves, preguiças e, com sorte, jacarés e botos.

Perto de Santarém, o encontro das águas mostra o Tapajós, de água clara, correndo ao lado do Amazonas, de água barrenta, sem se misturar por um longo trecho. Dependendo do horário do voo, dá para encaixar o passeio antes de ir para o aeroporto.
Onde a gastronomia entra no roteiro
A comida é parte do roteiro, não uma pausa entre passeios. Ao longo dos cinco dias, procure provar:
- peixes do rio, como tucunaré e pirarucu, assados ou em caldeirada;
- tacacá, caldo de tucupi com jambu e camarão, servido quente em cuia;
- farinha de mandioca da região, que acompanha quase tudo;
- frutas da estação, como cupuaçu, bacuri e açaí, conforme a época.
Veja mais em experiências autênticas na Amazônia.
E se a viagem for na cheia?
Entre março e junho, o rio sobe e muitas praias ficam submersas. O roteiro continua possível, com outra paisagem:
| Dia | Na vazante | Na cheia |
|---|---|---|
| 1 | Ilha do Amor | Lago Verde de canoa |
| 2 | Praias do Tapajós | Igapós e floresta alagada |
| 3 | Arapiuns e comunidades | Arapiuns e comunidades |
| 4 | Floresta Nacional | Floresta Nacional |
| 5 | Canal do Jari | Canal do Jari, com mais área alagada |
Para entender a diferença entre as estações, leia quando ir a Alter do Chão.
Três dias ou sete dias?
Com três dias, concentre-se no Tapajós: Ilha do Amor, um dia de praias e o pôr do sol. É o formato do Alter Weekend.
Com sete dias, vale incluir noites a bordo, voltar ao Arapiuns com calma e reservar tempo livre. Uma viagem privativa permite ajustar o ritmo ao grupo.
Fontes
- Distância e acesso a Alter do Chão pela PA-457: Catraca Livre
- Floresta Nacional do Tapajós, criação e comunidades: Agência Pública
- Samaúma de Maguari e trilhas na Flona: Portal Amazônia
- Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, decreto de criação: Câmara dos Deputados
- Canal do Jari e Lago Verde: Melhores Destinos







